A Polícia Civil ouviu cinco testemunhas na investigação instaurada para apurar o assassinato do cartunista Glauco Vilas Boas, 53, e de seu filho Raoni, 25. Os dois foram mortos a tiros na casa do cartunista, em Osasco (Grande São Paulo), na madrugada. Apontado como autor dos disparos, o estudante Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, 24, ainda não foi localizado.
Uma enteada de Glauco, que presenciou o crime, detalhou à polícia como o cartunista morreu. Além dela, o concunhado Douglas Pinheiro e outro vizinho que chegou à casa após o crime contaram o que viram.
Segundo as testemunhas, o suspeito chegou ao local e rendeu a enteada de 30 anos, que mora em uma casa no mesmo terreno. Glauco e a mulher Bia ouviram gritos, foram ao quintal, e começaram a conversar com Nunes.
Ele era conhecido da família por já ter frequentado a igreja Céu de Maria, que segue os princípios do Santo Daime e foi fundada por Glauco.
Segundo o relato das testemunhas, Cadu, como era conhecido o estudante, delirava e queria levar todos para a casa de sua mãe, em São Paulo, com o objetivo de afirmarem à mulher que ele era Jesus Cristo. Ele estava armado com uma pistola automática e uma faca.
Glauco tentou negociar com Nunes para ir sozinho, e chegou a ser agredido. De acordo com o delegado Archimedes Veras Júnior, responsável pela investigação, Glauco não reagiu.
No meio da discussão, porém, Raoni chegou ao local de carro. Em seguida, Cadu atirou contra pai e filho, mas os motivos ainda não foram esclarecidos. Os dois chegaram a ser atendidos no hospital, mas não resistiram e morreram.
"Ele [Raoni] não teve nem a chance de partir pra cima. Quando o Raoni chegou, o Cadu já estava atirando [em Glauco]", disse Veras Júnior.
O suspeito fugiu em um Gol cinza dirigido por outro homem, ainda não identificado pela polícia, e ainda é procurado. Cadu deve ser indiciados por duplo homicídio doloso (com intenção), e o outro deverá responder por envolvimento no crime.
O pai e o avô de Nunes prestaram depoimento à polícia e disseram que o jovem usava drogas e tinha problemas psicológicos , mas não era agressivo. À polícia, disseram que Glauco era homem bom e dava conselhos ao jovem.
Veras Júnior não descartou ouvir mais testemunhas nos próximos dias. Glauco será enterrado neste sábado (13) no cemitério Gethsêmani Anhanguera.
O suspeito, que já tem passagem na polícia por porte de drogas, aparentava estar sob efeito de drogas durante o crime, disseram testemunhas.
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Fonte: Folha